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Há um tempo atrás, quando eu vivia com Camila, cuidar das plantas que ela tinha na varanda era como uma terapia pra gente. Nunca perguntei, mas acho que ela tinha a mesma sensação: sentar aí no chão ao pé da porta da varanda e estar à mesma altura que as plantas era como sentir um pouco da sensação de estar “em casa”, um pouco de Brasil… a gente sempre sentava aí quando queria compartilhar algo, pensar na vida, jogar conversa fora e, por que nao?, “comer fora” (hehehe).

Depois de um tempo, me mudei… fui pro andar de baixo… e apesar de ter apenas descido dois vãos de escadas, algumas coisas se perderam com a mudança. Uma delas foi esse porto seguro entre as plantas, esse lugar-portal que tantas vezes e de maneira tão fácil, nos levava a sentir “em casa” e, ao mesmo tempo, conectadas com nós mesmas.

Uns meses depois, foi a vez de Camila se mudar, e nesse dia me pediu para deixar lá em casa alguns vasos que já nao cabiam na mudança. Claro!! Nao era nenhum problema para mim, minha varanda estava vazia (assim como os vasos) e tinha muito espaço para deixá-los aí…

Os meses foram passando… as mudanças continuaram acontecendo… o frio foi chegando e se instalando… e talvez como reflexo disso tudo, todo esse tempo os vasos na minha varanda continuaram aí, vazios, sem plantas e sem vida, talvez esperando que o inverno terminasse…

Mas o tempo é certeiro. Ele vai passando e por mais que seja difícil dar adeus à algumas estações, ele sempre traz de volta a primavera. Não sabería dizer exatamente que dia terminou o inverno, simplemente sinto que terminou, talvez tenha sido no dia do meu aniversário, talvez no dia que decidi dar vida a esses vasos e plantei umas sementes compradas em Walmart, que eu tinha certeza que floreceriam tão lindas como as compradas no Mercado de Jamaica… não sei…

…só sei que eu estava certa… HOJE quando acordei estava lá, linda e soleada, a primeira flor das minhas plantinhas.

mi primavera

mi primavera

A varanda é outra, mas a sensação foi a mesma. Sem pensar nos meus movimentos, me sentei ao pé da porta da varanda para estar à mesma altura da minha florzinha e poder admirá-la de perto e foi quando em um segundo me transportei novamente na velha sensação de sentir-me “em casa” e outra vez conectada comigo mesma. Amiga, tu tem que vir conhecer minha florzinha.

Sei que não demora para nascer outras flores  entre minhas plantinhas…
Assim como também sei que em algum momento a primavera novamente vai embora… e talvez passe o resto do ano sem novas flores, talvez a plantinha sofra com o frio do próximo inverno e pareça morta… mas aprendi que em algum lugar se conserva bem guardadinha a cumplicidade de quem compartilhou a sensação de estar viva entre essas flores.

Aprendi que mesmo que anoiteça, sempre há beleza entre as flores.

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Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho

Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim

(Meu Jardim – Vander Lee)

?????

Já faz tempo que eu vinha com a idéia de escrever um blog sobre a aventura que é viver em outro país… mas nessas últimas semanas, essa aventura tem sido cada vez  mais emocionante, simplesmente porque o país a que me refiro é o México.

Depois de uma repentina epidemia com ameaca de pandemia (que ainda vai ser tema de futuros posts aqui – sim, o assunto merece!), agora é a vez dos sismos botarem todos a tremer, literalmente, nesta cidade!

Como todos os dias, voltei para casa na hora do almoco de Metrobus.  Esses onibus devem ter um sistema de ar (ou sei lá que danado é isso) que adaptam sua altura cada vez que chegam a uma parada. Sempre tomo um susto quando o motorista ativa isso, fico tonta, sei lá… Sensacao estranha, nao gosto. Hoje saí tarde do trabalho, já tinha muita fome e vinha no ónibus um pouco agoniada… nao moro longe do trabalho, talvez por isso minha agonia, cada dia faco esse mesmo percurso cronometrando para poder dizer: “em 15 min estou em casa!!!” hehehe. Talvez hoje tivesse batido o récorde, se nao fosse por um incidente: sem que estivesse numa parada, senti o onibus mover e mover e mover (e mover…) e já com raiva do motorista (acho que pela fome!) fiquei pensando se o ele nao tinha nada mais interesante pra fazer enquanto esperava que o sinal abrisse… e quando finalmente abre o sinal,  o “palhaco” pouco a pouco para de brincar com o sistema de ar… mas… continua parado!

Contaminada pelo insconciente coletivo “DFeño” meu único pensamento era: “Moco, eu to com fome! Quero chegar em casa… por favooor, anda”…  e nada…

Segundos depois (que me pareceram uma eternidade) lentamente o onibus volta a avancar e algumas pessoas se assomam as janelas, olhando nao-sei-o-que” lá fora, nos edifícios… edifícios que pouco a pouco se enchiam de gente nas suas entradas, gente pelas ruas, pelas calcadas…

Buscando uma razao, em segundos, para todo este caos… me deixo levar outra vez pela típica falta de paciencia da cidade: “Deus do céu, é só chegar a sexta feira pra essa cidade virar uma loucura!!!! E olha que nem é quinzena!!!”

2 segundos depois… vibra o celular: “amor, sentistes el temblor?”

hehehe, uma risadinha amarela… e uma desculpa ao “palhaco” motorista do metrobus (que nao estava brincando com o sistema de ar) e as 189.786.980 pessoas que estavam na rua, por pura precaucao, porque gracas a Deus, o sismo nao causou nenhum dano na cidade.

=)

Licao de hoje: Um sismo de 5.9 graus na escala Richter equivale a uma detonacao de 1.270 toneladas de TNT

Por Magu

Por Magu

Después del pánico generalizado, del aislamiento total, de los pocos casos (que siguen aumentando a cada día en el mundo todo), de las muertes insignificantes (porque afinal, no son muchas, sólo 44 mexican@s declarad@s oficialmente  fallecid@s hasta el 07/05)… Los cerditos mexicanos (sin doble sentido) regresan a su rotina como si (casi) nada hubiera pasado…

Depois do pânico generalizado, do isolamento total, dos poucos casos (que vão aumentando a cada dia no mundo todo) e das mortes insignificantes (porque afinal, não são muitas, somente 44 mexican@os declarados oficialmente falecid@s até 07/05)… Os porquinhos mexicanos (sem duplo sentido) voltam à sua rotina como se (quase) nada houvesse acontecido…

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